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Gestão e indicadores de perdas

Índice de perdas no varejo: como calcular e acompanhar todo mês

O inventário não fechou, mas quanto isso representa? Sem um número calculado sempre do mesmo jeito, fica impossível saber se a perda está crescendo, caindo ou se a última mudança na loja funcionou.

Resposta rápida: o índice de perdas é a diferença entre o estoque esperado pelo sistema e o estoque contado, em valor de custo, dividida pelo faturamento do mesmo período e multiplicada por 100. Calcule sempre com o mesmo método e o mesmo intervalo, de preferência todo mês. Mais importante que o número de um mês isolado é a tendência ao longo do ano, aberta por categoria e área da loja.

Toda loja tem alguma diferença entre o que o sistema diz que existe e o que está de fato na prateleira. O índice de perdas transforma essa diferença em um percentual do faturamento, o que permite comparar meses, categorias e lojas de tamanhos diferentes. Para ter uma referência de mercado: segundo a 9ª Pesquisa de Perdas no Varejo Brasileiro da Abrappe (2026, dados de 2025), feita com a Protiviti e divulgada em junho de 2026, o índice médio do varejo brasileiro foi de 1,65% do faturamento em 2025, contra 1,51% em 2024, somando R$ 42,1 bilhões (via Giro News).

Esse número ajuda a dimensionar o problema, mas o que realmente orienta as decisões da sua loja é o seu próprio índice, calculado com regra fixa. Este artigo mostra a fórmula, um passo a passo com exemplo e como ler a tendência ao longo do ano. O conceito geral de perdas e as cinco origens estão resumidos no guia de prevenção de perdas no varejo; aqui o foco é a conta.

A fórmula do índice de perdas

Índice de perdas (%) = (estoque esperado − estoque contado, em valor de custo) ÷ faturamento do mesmo período × 100

Cada parte da fórmula tem um cuidado próprio:

  • Estoque esperado é o saldo do sistema: o último inventário, mais as entradas por nota, menos as vendas, menos as baixas já registradas (quebras, vencidos, consumo interno, transferências).
  • Estoque contado é o que a equipe encontrou na contagem física, item a item.
  • Valor de custo é o preço que a loja pagou. Multiplique a diferença de cada item pelo custo dele e some tudo. Usar o preço de venda infla o resultado e atrapalha a comparação entre meses.
  • Faturamento do mesmo período é a venda entre as duas contagens. Se a categoria foi contada depois de 30 dias, use o faturamento desses 30 dias.

Um detalhe que muda tudo: decida se as quebras e os vencidos que a equipe registrou entram no índice ou ficam separados como perda conhecida. As duas escolhas funcionam. O que não funciona é mudar de critério no meio do ano, porque aí o número sobe ou cai sem que nada tenha mudado na loja.

Passo a passo para calcular na sua loja

  1. Defina o período. Mensal é o mais comum. Se você só faz inventário geral duas vezes por ano, comece pelas categorias contadas no inventário rotativo.
  2. Feche as pendências antes de contar. Notas de entrada lançadas, transferências registradas, quebras e vencidos baixados.
  3. Conte sempre no mesmo momento do dia, de preferência com a loja fechada ou com pouco movimento, para que vendas durante a contagem não distorçam o resultado.
  4. Tire do sistema o estoque esperado no mesmo instante da contagem.
  5. Calcule a diferença item a item e valorize pelo custo. Sobras e faltas aparecem separadas: sobra quase sempre indica erro de cadastro ou de lançamento.
  6. Some as diferenças e divida pelo faturamento do período. Multiplique por 100.
  7. Registre por categoria e por área da loja, não só o total. É assim que o número vira ação.

Exemplo ilustrativo

Os valores abaixo são fictícios, só para mostrar a conta funcionando.

Item da conta Valor (exemplo ilustrativo)
Estoque esperado pelo sistema, em custo R$ 84.000
Estoque contado, em custo R$ 82.320
Diferença R$ 1.680
Faturamento do mês R$ 140.000
Índice de perdas 1.680 ÷ 140.000 × 100 = 1,2%

Sozinho, esse 1,2% diz pouco. Ele ganha sentido quando você o compara com os meses anteriores e quando abre a diferença por categoria: se metade dos R$ 1.680 do exemplo veio de uma única gôndola, já existe um lugar claro para olhar primeiro.

Como acompanhar o índice todo mês

Nem toda loja consegue contar tudo todos os meses. A saída é combinar dois ritmos: o inventário rotativo, que conta grupos pequenos de produtos com frequência, e o inventário geral, que fecha o número completo da loja. Com o rotativo, calcule o índice de cada categoria contada (diferença da categoria ÷ faturamento da categoria). Para decidir quais categorias entram com mais frequência, use a curva ABC.

Na leitura mês a mês, um número isolado engana. Uma promoção forte, um feriado ou uma nota lançada com atraso mexem no resultado. Por isso vale acompanhar também uma média dos últimos três meses, que suaviza os picos e mostra a direção real.

Mês (exemplo ilustrativo; janeiro 1,4% e fevereiro 1,1%) Índice do mês Média dos últimos 3 meses Leitura
Março 1,6% 1,37% Pico isolado; conferir notas e cadastro antes de reagir
Abril 1,3% 1,33% Volta ao patamar anterior
Maio 1,2% 1,37% Estável
Junho 1,0% 1,17% Tendência de queda: a mudança feita em maio parece funcionar

Anote ao lado de cada mês o que mudou na loja: troca de layout, nova regra de recebimento, reforço na escala de um turno, câmera nova. Seis meses depois, essa coluna de anotações é o que permite dizer o que funcionou.

Quer saber quanto a perda pesa no ano da sua loja?
Coloque o faturamento e o seu percentual na calculadora e veja a estimativa mensal e anual. Se quiser entender como alertas com foto no WhatsApp entram na rotina da equipe, agende uma demonstração online.

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Comparar com a média do mercado: útil, mas limitado

É natural querer saber se 1,2% é muito ou pouco. A média da Abrappe ajuda a colocar o número em perspectiva, mas compare com cuidado. Ela reúne segmentos com realidades muito diferentes: na mesma pesquisa, as lojas de conveniência tiveram índice de 3,81% em 2025, e as farmácias, 1,24% (via Boca). Além disso, cada empresa calcula de um jeito: algumas incluem quebras registradas, outras não; algumas usam custo, outras preço de venda.

A comparação que mais importa é com você mesmo. Um índice que cai de forma consistente, com o mesmo método, vale mais do que estar abaixo de qualquer média.

Erros comuns que distorcem o número

  • Mudar o método no meio do caminho, como passar a incluir vencidos ou trocar custo por preço de venda.
  • Contar com a loja vendendo, sem travar a movimentação dos itens que estão sendo contados.
  • Deixar notas de entrada para depois: a mercadoria está na prateleira, mas o sistema não sabe.
  • Olhar só o total: faltas em uma categoria e sobras em outra se anulam e escondem o problema.
  • Reagir a um único mês sem esperar a tendência.
  • Atribuir tudo ao furto antes de revisar os processos.

O índice subiu: o que fazer antes de concluir que foi furto

Diferença de estoque não é sinônimo de furto. Antes de qualquer conclusão, siga esta ordem de verificação, que resolve boa parte dos casos sem acusar ninguém:

  1. Recontagem dos itens com maior diferença, por outra pessoa.
  2. Recebimento: notas lançadas com quantidade errada, volume faltando na entrega, devolução ao fornecedor não registrada.
  3. Cadastro: produto duplicado, unidade e caixa confundidas, código de barras associado ao item errado.
  4. Vendas no código errado: sabor, tamanho ou cor parecidos registrados um no lugar do outro (um item falta, o vizinho sobra).
  5. Cancelamentos e trocas do período, por operador de caixa.
  6. Quebras e vencidos que foram para o lixo sem baixa.

Se a diferença persiste depois dessa revisão e se concentra em itens pequenos e de maior valor, a hipótese de furto ganha força. Aí entram layout, atendimento e câmeras. Com a Visy, as câmeras que a loja já tem passam a avisar a equipe com foto no WhatsApp quando aparecem sinais configurados para cada câmera, e o histórico de eventos guarda imagem, data, horário e câmera de cada alerta, o que ajuda a cruzar padrões por turno e por área com o resultado das contagens. Vale lembrar: o alerta é um indício para a equipe verificar; a decisão é sempre de uma pessoa.

Para traduzir o índice em dinheiro que a loja precisa vender para repor, veja quanto custa um furto de verdade. E, para descobrir quais itens puxam o número para cima, o caminho está em como descobrir os produtos mais furtados da sua loja.

Perguntas frequentes

Qual é um índice de perdas aceitável para uma loja?

Não existe um número único. A 9ª Pesquisa de Perdas no Varejo Brasileiro da Abrappe (2026, dados de 2025) apontou média de 1,65% do faturamento no varejo brasileiro em 2025, mas a média mistura segmentos muito diferentes. Para a sua loja, o índice bom é o que cai ou se mantém estável mês a mês, calculado sempre do mesmo jeito e aberto por categoria.

Devo calcular a diferença pelo preço de custo ou pelo preço de venda?

Pelo custo. É o valor que a loja realmente pagou pelo produto que sumiu, e é a mesma base usada na contabilidade do estoque. Usar o preço de venda infla o número e dificulta comparar meses com promoções diferentes. Se quiser estimar a venda perdida por ruptura, faça essa conta à parte, sem misturar com o índice.

Dá para calcular o índice de perdas sem parar a loja para contar tudo?

Sim. Entre um inventário geral e outro, use o inventário rotativo: conte algumas categorias por semana e calcule o índice de cada uma, dividindo a diferença da categoria pelo faturamento dela no período. O índice geral da loja fica para quando houver contagem completa, mas as categorias já mostram onde a perda está crescendo.

O índice de perdas mede só o furto?

Não. A diferença entre o estoque esperado e o contado soma furto externo, furto interno, erro de cadastro e de nota, quebra, vencidos não registrados e falhas de fornecedor. Por isso, antes de concluir que a causa é furto, confira recebimento, cadastro, vendas no código errado e cancelamentos do período.

Quer que as câmeras da sua loja avisem a equipe na hora?
A Visy usa as câmeras, o DVR ou o NVR que você já tem: sinais de risco de furto viram alerta com foto no WhatsApp, configurados câmera por câmera — e o Anti-intruso vigia a loja fechada.

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